Secretário de saúde de Kennedy rebate críticas e mostra soluções

Publicado em às 20:51.
Por Luciana Maximo

Secretário de saúde de Kennedy rebate críticas e mostra soluções

Deivis Guimarães está à frente da Secretaria de Saúde em Presidente Kennedy há 60 dias. Ele encontrou diversos problemas e afirmou que vai resolver um a um. A Reportagem ouviu algumas críticas em relação ao atendimento nas Unidades de Saúde da Família, bem como, no Pronto atendimento do Hospital. Entre as reclamações, a falta de fisioterapeutas para dar continuidade ao atendimento nos postos, visto que, a profissional que atende as localidades de Jaqueira e Santo Eduardo está de licença maternidade. Entre essas outras, como a escassez de remédios na Farmácia básica e a falta de aparelhos odontológicos. Deivis respondeu aos questionamentos do jornal, confira a entrevista.

 

Jornal: Deivis você encontrou a saúde de Kennedy na UTI?

 

– Encontrei a Saúde de Kennedy como a de outros locais, precisando de ações de reestruturação e um choque de gestão com foco na melhoria do acesso à população e da humanização do atendimento. Um dos pontos mais relevantes  foi o diagnóstico inicial da necessidade de organização do sistema e sistematização dos processos, e iniciamos criando um novo organograma para a Saúde, o qual auxiliará todos os futuros passos rumo à melhoria da assistência a saúde da população.

 

Jornal: O Hospital é motivo de muitas reclamações, eu mesma estive lá e percebi a ausência de lençóis limpos, a fragilidade do atendimento. Como está hoje o Hospital?

 

– Na verdade o que temos hoje é um pronto atendimento 24 horas. Nestes últimos 60 dias muitas coisas foram realizadas em relação ao PAM, o primeiro passo foi adequar a equipe de atendimento, contratamos mais um médico por plantão onde hoje temos três médicos por plantão melhorando a assistência e dando mais segurança a toda equipe. Duplicamos o número de enfermeiros agora com dois enfermeiros por plantão, mais técnicos de enfermagem e dois assistentes sociais para dar suporte a acompanhantes e pacientes. E para completar a mudança organizacional, criamos no organograma além da direção do PAM, uma coordenação administrativa, uma de enfermagem e uma de urgência e emergência para melhorar o suporte da equipe técnica e aproximar a gestão dos usuários.

Avaliando a estrutura da unidade decidimos construir uma nova unidade de urgência e emergência no município. Estamos buscando em outros municípios projetos que possam ser utilizados como modelo, e devemos evoluir rapidamente na construção modular pré-fabricada, e se tudo der certo até o verão teremos uma nova unidade totalmente adequada e estruturada. Outro ponto que estamos avaliando é a viabilidade econômica de construir um HPP (hospital de pequeno porte) em Kennedy, com o objetivo de absorver procedimentos de baixa e média complexidade além de garantir leitos de retaguarda para o PAM. Devemos efetuar agenda com o governo do Estado na próxima semana para discutir o remanejamento dos tetos do município para Kennedy, ou seja, o recurso do município que está em outros locais retornarem para o município e com isso poderemos aumentar as fontes de recurso federal no município, e avaliar com segurança o custeio da unidade.

 

Jornal: Recebi informações de que o atendimento nos Postos de Saúde da Família é precário. Exemplo: desde o ano passado que o posto de Santo Eduardo está sem materiais odontológicos. E por isso o atendimento não é realizado. O dentista que trabalha lá recebe sem fazer atendimentos? Outra situação é com relação a fisioterapeuta, que está licenciada. Até quando os usuários ficarão sem o serviço?

 Posto boca

_ Da mesma forma que o PAM, todas as unidades passaram nestes 60 dias por uma reestruturação organizacional e de pessoal, e nesse caso especifico as unidades também passaram por várias manutenções. Na parte de pessoal contratamos, além dos médicos dos ESFs, mais dois médicos foram contratados e trabalham hoje de forma itinerante nas unidades satélites, como no caso de Santo Eduardo que é uma unidade satélite e a referência é a ESF de Jaqueira. Em Santo Eduardo nunca existiu consultório de dentista instalado na unidade, mas já recebemos os equipamentos na semana passada e iremos nas próximas semanas instalar o equipamento e remanejar um dentista do processo seletivo para atender na unidade, ou seja, nunca existiu dentista em Santo Eduardo apenas o dentista da ESF de Jaqueira que passa pela unidade de Santo Eduardo para efetuar orientações e quando necessário triagem.

 

Jornal: Fisioterapeuta?

 

_ A fisioterapia passou por uma reformulação geral e a partir deste mês irá passar a atender na assistência domiciliar, além disso, contratamos mais fisioterapeutas para garantir a cobertura de férias e atestados, mas o atendimento de rotina nas unidades será reestruturado e passará a ser composto por um novo programa estruturado e sistematizado, como foco nos pacientes acamados, portadores de necessidade especial e idosos.

 

Jornal: Secretário, o senhor quando esteve em Anchieta promoveu alguns mutirões de saúde e desafogou a fila do Céu. Pretende fazer o mesmo em Kennedy? Já está fazendo? É mais vantajoso fazer mutirões que contratações dos profissionais?

 

_ Fizemos vários mutirões em Anchieta e conseguimos combater as filas que já tinham anos, e em Kennedy a situação não é diferente, existe uma grande fila de pacientes aguardando cirurgias, exames e consultas, e a única forma de combater isso a curto prazo, é através dos mutirões que em Anchieta beneficiaram milhares de pessoas e espero que em Kennedy seja possível zerar todas as filas de espera.

Como gestor público, sempre vou preferir realizar os projetos com mão de obra da própria do município, mas às vezes não existe o profissional e a única forma é buscar parcerias para realizar os atendimentos. Em Anchieta utilizamos o CIM Expandida Sul (Consorcio de Saúde) e aqui em Kennedy iremos buscar a parceria com o CIM Polo Sul para as especialidades que não temos disponíveis e exames, em relação aos custos são os mesmos que os municípios já utilizam por anos por meio da tabela do Consorcio, onde todos os municípios que compõe o Consórcio seguem, ou seja, o custo não é maior por que já é um custo que existe e é rateado entre os consorciados, e só não é feito com pessoal próprio quando não temos mão de obra no quadro da prefeitura.

 

Jornal: Em Anchieta foram implantados vários serviços e por isso, a Saúde recebeu prêmios em sua gestão. Acompanhamos esses resultados. Quais serviços serão implantados em Kennedy semelhantes ao de Anchieta?

saúde do trabalhador

_ Implantamos vários serviços em Anchieta e marcamos nossa gestão em Anchieta com uma gestão moderna, organizada e com foco nos custos, e finalizamos nossa gestão em outubro de 2014 ganhando três prêmios INOVES (Inovação em Gestão) e o prêmio como um dos 50 melhores gestores de saúde pública do Brasil. Isso é fruto do trabalho estruturado de toda equipe da saúde e da vontade política do prefeito. E em Kennedy, além de termos um cenário mais favorável, temos o apoio incondicional da prefeita Amanda que possui o objetivo de ter uma saúde de referência e com um atendimento digno à população.

 

Jornal: Há em Kennedy alguns comentários de que você até o momento não mostrou para que veio, a não ser aumentar a folha de pagamento com a contratação de 16 farmacêuticos. Como explica essa “denúncia?

 

_ Nunca contratamos 16 farmacêuticos, mas convocamos 10 farmacêuticos do processo seletivo, para atender a determinação do Conselho Regional de Farmácia (CRF), e hoje somos o único município do Estado a cumprir a Resolução de ter exclusivamente farmacêutico dispensando medicamentos em toda rede pública, além de dispensar na farmácia da sede, também dispensamos nas unidades ESF, e inclusive temos farmacêutico 24 horas no PAM. Na verdade atendemos a notificação do CRF e buscamos reverter essa demanda em beneficio para a população que hoje não precisará mais buscar medicamentos na Sede do Município, pois poderá retirar seu medicamento na unidade próximo a sua casa.

 

Jornal: Sobre as farmácias básicas das Unidades de Saúde: Os postos do interior receberão os remédios que vão atender a demanda, ou serão apenas remédios básicos que na verdade não atendem a necessidade.

 

_ Todos os medicamentos do município constam na lista de padronização REMUME, e a nossa é a maior lista de medicamentos do Estado com 389 itens, tendo somente a do Estado (SESA) maior com 417 itens. O que ocorre é que muitos pacientes que tem atendimento particular, fora do município, buscam os medicamentos na Rede e é impossível termos disponível 100% dos medicamentos do mercado na CAF (Central de Abastecimento farmacêutico), outro grande desafio é a opção pelo Genérico, pois existe orientação do Ministério da Saúde para optarmos pelos genéricos, mas muitos pacientes se negam a usar o genérico, mesmo ele sendo a cópia com exatidão do medicamento de marca e com a mesma ação. E estas situações levam a algumas dificuldades no atendimento de 100% da demanda, mas mesmo assim nos casos de medicamentos éticos, ou seja, não genéricos, temos utilizado a ata de registro de preço para fornecer ao cidadão.

Assumi a Saúde com um estoque mínimo, e hoje já estamos com 65% da tabela REMUME disponível a pronta entrega e os demais entregues à população em média com 2 dias úteis, e na próxima semana devemos chegar a 100% de estoque da tabela, pois nossa licitação foi homologada e iremos emitir as autorizações de fornecimento. Para os medicamentos excepcionais, fora da tabela REMUME, estamos com processo de licitação em tramitação e deve ser publicado nos próximos dias.

 

 

 

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