Situação de descaso nas escolas municipais

Publicado em às 19:00
Por Luciana Maximo
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ESCOLAS MUNICIPAIS: merenda roída por rato, bebedouro que dá choque, fiação pega fogo, faltam extintores, ventiladores, mato invade, teto desaba, abandono, descaso.

Outros municípios também receberão a reportagem na próxima edição. Iconha, Itapemirim, onde teme Scola sem energia e coberta por telhas de amianto, Alfredo Chaves, Marataízes, Rio Novo do Sul e Cachoeiro de Itapemirim.

 

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A reportagem do Espírito Santo Notícias mais uma vez traz a educação no tema central da pauta. A jornalista foi a algumas escolas conversou com secretários de educação e fez um panorama de como está à escola aonde o seu filho estuda. Verificou que os problemas são semelhantes nos municípios, muitas instituições precisam de reforma, ampliação, rampas de acesso para alunos em condições especiais, a maioria precisa receber a visita do Corpo de Bombeiros para vistoria.Faltam saídas de emergência, ventiladores, extintores.

Em Piúma por pouco uma tragédia não ocorre e compromete a vida dos alunos. A escola do bairro Portinho no dia 21/02 viveu um drama. A fiação velha acabou pegando fogo e os alunos foram evacuados rapidamente. O corpo de Bombeiros esteve no local e interditou a escola. Lá não tinha extintor de incêndio e nem laudo do Corpo de Bombeiros. Mas não é só a escola do Portinho, mais 15 não possuem.

Muitos outros problemas assolam as unidades, desde prédios velhos, bebedouro que dá choque nos alunos, paredes úmidas, escola de educação infantil inadequada para receber as crianças, e duas delas inadequadas.

A reportagem solicitou à Secretaria de Educação um relatório detalhado das condições de todas as escolas, e nesta matéria pontua alguns problemas.

Das 16 escolas municipais de Piúma, apenas o Jardim de Infância Municipal “Nossa Senhora da Conceição” possui extintor de incêndio, mas não tem laudo do Corpo de Bombeiros, nem mesmo a Lacerda de Aguiar, recém reformada e a Creche Vovó Genoveva. A maioria delas precisa de reformas.

Atendendo a solicitação do jornal, o secretário de Educação Paulo Martins elaborou um relatório detalhado das condições das instituições de ensino e enviou a redação.

Exceto a Creche Casulo Chapeuzinho Vermelho, a EI Ângela Paula Coelho Pedroza e a Creche Carmelita Miranda Pedroza que funcionam em prédios alugados, as outras 13 escolas pertencem ao município. Nenhuma das instituições possui laudo do Corpo de Bombeiros.

De acordo com o relatório, a Escola de Itinga se encontra em situação de completo abandono, bem como a Escola de São João da Boa Vista.

 

Ângela Paula, Carmelita Miranda e Casulo Chapeuzinho sem acessibilidade

Em se tratando de acessibilidade, a Escola de Educação Infantil Ângela Paula Coelho Pedroza não tem estrutura adaptada para atender a clientela, bem como a Creche Carmelita Miranda Pedroza e a Casulo Chapeuzinho Vermelho.

Cinco escolas no município possuem apenas uma saída de emergência. As outras possuem duas, exceto o Lacerda de Aguiar que tem cinco.

Sobre as escolas não possuírem extintores de incêndio e nem laudo do Corpo de Bombeiros, o secretário informou que foi feito um primeiro contato, em janeiro, com o Corpo de Bombeiros de Guarapari. “Enviamos um técnico da SEME, para ser cadastrado no sistema e atualmente estamos em processo de inscrição das escolas para uma primeira visita visando realizar todas as adaptações técnicas para aprovação dos projetos de prevenção de incêndio”.

Na escola do Portinho que recentemente pegou fogo em parte da fiação. Paulinho disse que passará por uma reforma onde estará incluído o projeto de prevenção de incêndio, assim como a EMEF Céu. “Estamos em fase de aquisição de terreno e criação de projetos para construção de prédios próprios para as escolas que funcionam em prédios locados. Nesses projetos, estamos incluindo a prevenção contra incêndio. Estamos solicitando a contratação de uma empresa para realizar treinamento dos funcionários e alunos das escolas em como se comportar frente a situações de risco. Na EU Itinga será construído um novo prédio”, garantiu Paulo.

 

Fiação da quadra colada com fita isolante

No dia em que ocorreu o incêndio na escola do Portinho, um grupo de crianças que estudam no colégio convidou a jornalista para visitar o local. Eles disseram que a quadra pertence à comunidade do bairro, mas é usada para fazer Educação Física.

Completamente abandonada, a quadra oferece risco as crianças que brincam no local e que a utilizam para fazer aulas de Educação Física. Telhas quebradas penduradas, alambrado quebrado, onde deveriam estarà cesta de basquete, restou apenas um pedaço de ferro com uma ponta exposta, fiação engatilhada e colada com fita isolante, muita sujeira e cacos de vidro no chão.

“Aqui é o único lugar que temos para brincar. É muito ruim, tudo relaxado nessa quadra. Não tem como jogar, tem cacos de vidro no chão, um monte de poeira que a gente respira. Esse fio aqui dá choque, ferro enferrujado, quando você vai chutar a bola ela sai pelos buracos, ali em cima no telhado, um menino cortou a perna”, contou V.V. C, 11 anos.

“Eu e meus primos estávamos aqui brincando e um caco de vidro cortou meu pé. Eu quero que o prefeito venha aqui ver isso. O ex-prefeito então vacilou demais”, disse M, 11 anos.

“As professoras mandam a gente limpar a quadra, os serventes da rua não limpam. O telhado a qualquer momento pode cair e machucar alguém, os buracos, a luz. Eles podiam pintar a quadra. Quase tudo é ruim. Olha esses fios ali”, comentou J. R. M, 12 anos.

 

KENNEDY: ratos roem a merenda escolar e Vigilância apreende

Em Presidente Kennedy, a estrutura física das escolas polos é boa, no entanto, as instituições menores que ficam no interior precisam de reforma e ampliação. Das 22 escolas da rede, as quatro polos: Bery Barreto de Araújo, localizada no distrito de Jaqueira, a Escola de São Salvador, a Escola Vilmo Ornelas Sarlo e as creches Bem-me-quer e Menino Jesus em Cacimbinha têm boa estrutura. No ano passado todas tinham extintores de incêndio e foram vistoriados regularmente, mas é necessário que seja feita a troca de seis em seis meses.

Não foi possível contato com a secretária de Educação Dalva Helena, nem mesmo através da coordenadoria de comunicação. Quem passou as informações foi a ex-secretária, Ruth Ramos que encerrou os trabalhos em dezembro e deixou um raio x das condições físicas dos estabelecimentos de ensino.

Segundo a ex-secretaria, das 22 escolas, em quatro, o interventor solicitou que fossem fechadas por conta do número reduzido de alunos, em torno de 12 a 13 por sala, o que fazia com que o número de professores fosse bem maior. Só para se ter uma ideia pelo menos 300 professores trabalharam no ano passado.

De acordo com informações da ex-secretária, as escolas Unidocentes e as pluridocentes precisam ser reformadas e ampliadas por vários motivos. Há um processo tramitando na prefeitura desde setembro de 2012 solicitando a reforma. No fim do ano o processo estava nas mãos do engenheiro para fazer o levantamento. O pedido foi feito pela ex-secretária Geovana Quinta.

Disse Ruth que as escolas de Ensino Infantil têm cadeiras novas, mas as de ensino fundamental deixam a desejar. “Tinha muito material comprado, mas não se sabe a quantidade. Foi feita uma compra enorme de ar condicionado, mas os mesmos não foram instalados porque a parte elétrica é velha e não suporta a carga de energia”.

Para piorar a situação, duas escolas maiores, a de São Paulinho e Santa Lúcia foram inauguradas na gestão passada, ficando apenas a energia para ser ligada, mas pelo que foi apurado essas estavam ainda sem funcionamento. As escolas mais velhas, que ficam no interior, grande parte delas não está adaptada para receber alunos com limitações físicas.

 

Rato no almoxarifado e merenda vencida

Pasmem, imaginem um almoxarifado onde tudo é misturado. Merenda escolar, colchões, material de limpeza, panelas. Pois é, assim é em Presidente Kennedy, e, como não bastassem o atraso no ano letivo, a falta de contratação de professores, salas com número enorme de alunos, escolas sem funcionar por falta de energia elétrica, a merenda venceu a validade e ratos invadiram o depósito e roeram os alimentos.

A Vigilância Sanitária apreendeu uma grande quantidade de alimentos vencidos e roídos pelos ratos. “Kennedy tinha muitos ratos no almoxarifado. Em julho de 2012 começamos a solicitar a dedetização, fizemos ofícios junto ao Conselho de Alimentação escolar, mas preferiram deixar para janeiro, só que a secretária nova acabou ignorando a solicitação. A Vigilância Sanitária foi lá e detectou larvas de insetos nos alimentos, apreendeu a merenda escolar e fechou o almoxarifado”, informou a ex-secretária Ruth que foi impedida de passar a atual secretária o andamento dos processos e um raio X da situação da educação do município. Disse Ruth que o interventor tentou de diversas maneiras adquirir um terreno para que fosse construído um depósito para funcionar como almoxarifado, mas nacidade, além da dificuldade de encontrar terrenos compatíveis, os que estavam disponíveis tinham problemas com documentação.

 

Faltam extintores, bebedouros, superlotação, mato e animais invadem creche em Anchieta

A situação das escolas e creches do município de Anchieta é motivo de grande preocupação da atual administração. Um levantamento feito mostrou a precariedade em que se encontram as unidades que atendem do berçário ao ensino fundamental no município. Estruturas comprometidas, carência de todo tipo de material e falta de espaço são as maiores reclamações de diretores e coordenadores das unidades visitadas.

A atual administração, que está há dois meses trabalhando para sanar os problemas encontrados em todos os segmentos.Está estudando a melhor maneira de atender a essas urgências.

Na Creche Criança Feliz, em Ponta de Castelhanos, funcionários relatam a superlotação, falta de móveis e materiais em geral. De acordo com a coordenadora da creche, Dayse Alpohim, a creche conta apenas com um banheiro, para uso de todas as crianças e funcionários. Não há equipamentos de segurança, como extintores de incêndio e o mato invade o pequeno terreno da creche. Funcionárias informam a invasão de animais no local, devido ao crescimento do mato. No maternal,19 crianças ocupam o espaço onde cabem apenas sete. A sala do berçário possui quatro berços, onde deveria haver oito. Falta ainda material de limpeza e higiene. A creche não tem nenhum brinquedo e nenhum parquinho, essencial para o desenvolvimento nesta fase, informam as monitoras.

Na Escola Francisco Giusti não é muito diferente. Há 240 crianças onde cabem apenas 150. A lei determina 1,20 m para cada criança. O prédio está com rachaduras em quase todos os cômodos e o muro está em estado crítico, podendo ruir a qualquer momento. Faltam equipamentos, apenas um banheiro está funcionando, sendo que os demais estão totalmente impróprios para uso. O bebedouro não funciona e o material entregue é insuficiente.

Na Creche Pingo de Gente em Inhaúma, a coordenadora Rosiane resalta a falta de espaço e problemas estruturais do prédio. As crianças dormem na varanda, pois é impossível ficar no interior do imóvel. A creche está sem bebedouro e tanto crianças quanto funcionários ingerem água da torneira. A creche carece de nivelamento do terreno para possibilitar que as crianças brinquem e se exercitem, um forro para amenizar o calor no interior da casa, que é coberta apenas por Eternit e a construção de mais salas. A creche não tem equipamentos de segurança e não há salas para secretaria e demais procedimentos. Em todas as unidades não existem telefones.

 

Em Iconha também não tem extintores

São 1.700 alunos matriculados na rede municipal de ensino, da pré-escola ao 9º , da educação infantil ao ensino fundamental, distribuídos em escolas na sede e no interior. A reportagem conversou com a secretária de Educação, Aloisana Gariole que prontamente atendeu a jornalista e falou dos problemas na educação no município.

Sobre as escolas que não têm acessibilidade, ela garantiu que estão sendo estudadas as condições para ver se cabe reforma e ampliação. A título de exemplo citou a Padre Assis, no centro da cidade. Aloisana ressaltou que esta instituição já foi herdada com o problema, mas atualmente há um convênio com o Estado para reforma. “No ano passado nós conseguimos um convênio com o Governo do estado para reformá-la. Na reforma nós contemplamos uma rampa de acesso a alunos com necessidades especiais.

A escola de Pedra D’ Água, Rosita Salvador atende de 1º ao 9º ano e lá em especial há um problema que vem de gestões anteriores. O ex-prefeito Delso Mogin já herdara. A administração de Edelso Paulino (PT) fez a reforma do prédio e gastou todo o dinheiro, a inaugurou faltando terminar o serviço. “Lá nós herdamos um problema, dentro das nossas possibilidades conseguimos dar uma aparência melhor a escola, mas o caso está na justiça, agora vamos ver se conseguimos uma audiência para pedir autorização para concluímos à reforma com recursos próprios. Foi gasto o dinheiro todo do convênio com o Estado, mas a reforma não foi concluída, embora fosse inaugurada. Uma situação muito difícil, fizemos adaptações para melhorar a situação”, disse.

De acordo com a secretária, o Corpo de Bombeiros já vistoriou todas as unidades de ensino e a secretaria de Educação já tem em mãos o processo para aquisição dos extintores. “Havia muitos extintores nas escolas, mas alguns estavam vazios. Nós já fizemos o processo de acordo com orientações dos Bombeiros e já está correndo os trâmites para comprarmos. Tudo como nos foi orientado. Em menos de um mês estaremos instalando. Pedimos um orçamento e vamos tentar fazer uma compra direta”.Sobre saídas de emergências, a secretária disse que não vê problemas se precisar evacuar a área rapidamente porque as saídas são amplas. “Fizemos esse levantamento também, mas não vimos problemas não”, disse.

 

Itapemirim faltam ventiladores, energia na Fazenda Adelaide, cobertura de amianto na Elvira

A reportagem continuará na próxima edição abordando o tema e vai mostrar as escolas de Itapemirim, onde há colégio com cobertura de telha de amianto, que segundo pesquisas podem causar câncer, sem ventiladores, armários e faltando extintores. Abordará ainda a falta de energia em uma escola na Fazenda Adelaide. Lá nem ventilador, nem geladeira, nem nada.

Vai mostrar ainda como estão as escolas de Alfredo Chaves, Rio Novo do Sul, Marataízes e Cachoeiro de Itapemirim. Os pais poderão cobrar as autoridades competentes segurança e educação de qualidade, pois a Constituição da República bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem esse direito. A redação espera que os secretários de educação e assessorias de imprensa facilitem esse trabalho.

 

2 Comentários

  1. Roberto pianes
    Postado em 4 de abril de 2013 às 17:48 | Link

    Tem q ver porque compraram essa quantidade de alimento,10 toneladas de extrato de tomate,e brincadeira,hein!!! porque mandaram para um deposito q nao oferecia seguranca para os alimentos!! Nao tinha ninguem responsavel no almoxarifado.e um absurdo,kennedy chora no aniversario da cidade.

  2. tatiana almeida
    Postado em 24 de fevereiro de 2014 às 20:37 | Link

    moro no mato grosso do sul e pretendo em agosto ir morar em Piúma, queria que vocês me mandasse uma relação de escola particular no centro de Piúma , pois fiquei muito triste com a reportagem falando dos descaso com as escolas publicas .quero saber qual é a melhor escola particular .obrigada !

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