Publicado em às 2:02.
Por Fabiani Taylor

 LIVROS

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

 

Uma crítica literária disse que no livro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, era possível, ao encostá-lo bem próximo aos ouvidos, ouvir o mar, ouvir as carroças com suas engrenagens barulhentas. Acho que foi esse depoimento que me deu fôlego para ler essa obra-prima da Literatura Brasileira, a qual protelei durante muitos anos para ler até o final. Mas, quando acabei a leitura, além de ouvir o mar, tão longe do sertão de Rosa, ao fazer do livro uma concha disforme, e ouvir as engrenagens, pude perceber o quão a vida é passageira. Adiamos fazer ou dizer algo por tanto tempo que, quando criamos coragem, o tempo se foi, juntamente com aquilo que queríamos tanto fazer ou dizer.

Os livros são ecos da alma e do coração. Escrever palavras que passam a ser eternas nas vidas de milhares de pessoas, só vindo mesmo de gente iluminada, que brilha constantemente, feito purpurina, na tão árdua jornada que é a vida. E os livros emocionam. Com Rosa, caminhei pelo sertão brasileiro, bem perto dos jagunços, mesmo sentindo muito medo, e no final da travessia, fiz chover no sertão, derramei tantas lágrimas que Riobaldo transbordou e lavou o corpo de Diadorim, descobrindo que ela era mulher.

Tantos livros já se passaram em minha vida e digo com muita convicção de que me fizeram ser uma pessoa melhor, sensibilizada a esse desconcerto do mundo. A Literatura não nos deixa olhar para uma gota de orvalho da mesma forma todos os dias. Um dia ela será lágrimas vindas do céu. Outro dia, resquícios de uma grande tempestade que se formara tanto fora como dentro da gente. Quem não lê, verá que é apenas água e ainda reclamará da presença do orvalho porque está lhe atrapalhando em alguma coisa.

Histórias são frutos de alguma inquietação. Às vezes, levam-se anos para concluí-las. Escrever é a arte de refazer o mundo sob o olhar atento da criança, que é o escritor que sabe de tudo um pouco, e sempre indaga mais, pois as letras transpostas para o papel são teias que se unem cada vez mais a outras histórias para, no final, construírem novas histórias, que serão saboreadas por muitas pessoas, em suas jornadas diárias.

Lembro-me aqui do pequeno Rubem Braga que lá em Cachoeiro de Itapemirim ouviu falar sobre o mar, mas quando o viu pessoalmente, foi uma emoção singular que, mais tarde, virou crônica entre tantas outras que falam sobre esse gigante da natureza, que se renova a cada dia com seu vira e mexe de correntes que transitam pra lá e pra cá, tanto quanto os livros que povoam a natureza humana os quais se deslocam no espaço e tempo, perpassando gerações e transformando vidas.

Só a Literatura mesmo para nos deixar assim: repletos de infinita esperança. Não só de mais histórias transformadoras, mas que, com elas, uma boa parte das pessoas, ainda alheia à sensibilização com o mundo, possa incuti-la nas suas atividades diárias e, assim, tornar o mundo, pelo menos, um pouco melhor.

 

LI E GOSTEI

O livro Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos, de Roxane Rojo e Jaqueline P. Barbosa, fala-nos do trabalho do professor com diversos gêneros textuais através do olhar da Era Digital e nos dá dicas de como trabalhá-los, dando exemplos de atividades.

download (1)

ASSISTI E GOSTEI

download (2)

O filme A estranha vida de Timothy Green, 2012, dirigido por Peter Hedges, conta-nos a história de um casal que queria muito ter um filho e acabaram por concebê-lo fantasticamente, mas ele, ao desaparecer, leva o casal à adoção.

PARA REFLETIR

O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.

Albert Einstein

OUVI E APROVEI

E lá da Internet, do músico Criolo: …a amizade é importante/ mas o amor escancara tanto,/ e o que te faz feliz/ também provoca a dor,/ a cadência do surdo no coro que se forjou/ e aliás, cá pra nós, até o mais desandado/ dá um tempo na função quando percebe que é amado./ E as pessoas se olham e não se falam,/ se esbarram na rua e se maltratam,/ usam a desculpa de que nem Cristo agradou,/ falô, você vai querer mesmo se comparar com o Senhor?

 

E A GRAMÁTICA… COM AS CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA

Batatinha quando nasce, “esparrama” pelo chão

Existem expressões muito conhecidas e frequentes na língua portuguesa, as quais foram e continuam sendo transmitidas de geração para geração. No entanto, o que muitas pessoas desconhecem, é que algumas delas já perderam suas formas originais, sendo substituídas por outras. Isso acontece porque, muitas vezes, as pessoas acrescentam ou retiram parte das mensagens que ouvem, transformado-as. Com o passar do tempo, as novas formas se estabelecem, modificando o sentido da mensagem original. Veja a seguir as expressões que selecionamos e surpreenda-se! Certamente você já deve ter ouvido (ou mesmo emitido) alguma delas.

Expressão conhecida:

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.

Expressão original:

Batatinha quando nasce, espalha rama pelo chão. (Fazendo referência às raízes da batata.)

Expressão conhecida:

Quem não tem cão, caça com gato.

Expressão original:

Quem não tem cão, caça como gato. (Fazendo referência ao ato de caçar sem companhia, como faz o gato.)

Expressão conhecida:

Cor de burro quando foge.

Expressão original:

Corro de burro quando foge. (Fazendo referência ao animal, que ao fugir, pode representar perigo.)

Expressão conhecida:

Esse menino não para quieto, parece que tem bicho-carpinteiro!

Expressão original:

Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.(Fazendo referência ao ato de mexer-se demais.)

Fonte: Só Português

Enviar comentário

Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Campos obrigatórios marcados com *.

*
*
*