CAMA E CAFÉ – hospedagem com requinte em São Pedro

Publicado em às 4:28.
Por Luciana Maximo

Cama e Café deu certo em São Pedro, os moradores alugam uma cama e oferecem café e, de quebra, contam histórias e fazem amizades.

Que conhece o Distrito de São Pedro do Itabapoana fica impressionado logo na chegada, com o calçamento “pé-de-moleque”. Bucólico e cercado por história em cada moradia, o local é tão preservado que encontrar um hotel é impossível.  Para não perder a essência do lugar e gerar renda, caiu muito bem para São Pedro a hospedagem no estilo Cama e Café, inspirado em alguns países europeus. Imagine alugar uma cama na casa de um habitante local, com direito a uma refeição inclusa na diária, geralmente o café da manhã: essa é definição do Bed and Breakfast. Basicamente, é um turismo de experiência, pois você não será recebido por um funcionário de hotel e sim, pelo morador da casa, que poderá ser uma fonte valiosa de conhecimento sobre a cultura e atrativos do destino.

O Cama e Café em São Pedro é uma proposta do Governo do Estado do Espírito Santo e foi criada junto com a abertura do Parque Nacional do Caparaó, porque, na localidade, não havia oferta de locais específicos para hospedagem. A ideia foi copiada da Itália pela Secretaria Estadual de Agricultura que em parceria com a Secretaria de Turismo, no ano de 1989.

De acordo com a empresária Glícia Aguiar Guedes, proprietária da bela pousada Vale Verde, em 1989 só havia uma única pensão e com isso, o projeto “Cama e Café” permitiu que mais pessoas pudessem se hospedar na região. Com a hospedagem nas casas de família foram criadas vagas para turistas além de gerar renda.

Na época, Glícia era Coordenadora do Programa de Agroturismo do Estado do Espírito Santo. Nascida em Bom Jesus do Itabapoana, a empresária morou fora da cidade por 30 anos, estudou economia doméstica com especialidade em turismo e quando voltou para a sua terra natal, montou uma pousada, que é um dos seus projetos de vida. O outro projeto implantado por Glícia é o cultivo de flores de corte.na Marlene Bertoncele, de 62 anos, também aderiu ao Projeto Cama e Café. “Essa história de abrir a casa para as pessoas começou há pouco tempo. Aqui só tinha a pensão da Dona Emirene que atualmente é tocada pela Dona Geralda, porque as filhas dela foram embora para Belo Horizonte. Eu nunca tive pensão, eu entrei no ramo de hospedagem com o Cama e Café, porque fiz o cursinho, mas mesmo antes disso eu recebia os amigos, os meninos da música que não tinham onde ficar e minha casa é muito grande pra mim. Aos poucos fui tomando o gosto por receber as pessoas e atualmente faço parte do Casa e Café. Tenho um amor enorme em receber pessoas. Conhecer um pouco sobre elas e suas histórias é cativante”.

Enquanto concedia a entrevista, Marlene fazia biscoitos para os hóspedes e para vender na frente da casa. O clima tranquilo da região não oferece perigo e Marlene conta que nunca foi roubada ou desrespeitada pelos visitantes que recebe em sua casa. “Tenho um hóspede que eu recebo com suas duas filhas, na minha casa, mesmo antes de ter o Cama e Café, ele ficava em um quartinho que eu tenho embaixo da casa com um banheiro e uma geladeira pequena”.

A professora aposentada de Cachoeiro de Itapemirim Prudenciana Frade adquiriu uma casa em São Pedro junto com a irmã, Rosimere e aderiram ao Cama e Café, na Casa Azul, onde também comercializam diversos tipos de artesanatos e delícias do agroturismo local. “E essa hospitalidade local é maravilhosa e é natural das pessoas daqui. Não há placas nas casas, mas elas estão abertas e oferecem cama e café que é uma modalidade linda de hospedagem que aproxima o turista com a cultura, com a história da comunidade”.

 

 

Foto: Prudenciana / Luciana Maximo

Legenda: Prudenciana Frade e Dodô recebem os turistas na Casa Azul e estreitam laços de amizade.

 

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