GATO PRETO

Publicado em às 7:29.
Por Fabiani Taylor

Deu Crônica

 

Diz uma lenda que, numa encruzilhada, havia um gato preto que mancava e tinha um machucado em uma das orelhas que não o impediu de arranhar um homem quando este passava pela rua. Porém, não foi qualquer arranhão. O homem ficou gravemente ferido. As pessoas, que ouviram o barulho, seguiram o gato que entrou em uma casa. No dia seguinte, lá estava uma mulher que mancava e tinha uma orelha ferida, tal qual o gato que atacou o homem na noite anterior.

Essa é uma história dentre tantas outras que colocam o gato preto como mau agouro ou responsável por esconder uma bruxa. Eles assimilavam a cor das vestes desta com o gato preto e achavam que os dois eram um só. Há também relatos de que os gatos pretos eram sacrificados nos rituais de magia negra e os olhos do bichano, durante a noite, davam medo àqueles que ainda não dispunham de luz elétrica e, na escuridão do caminho de volta para casa, quando se deparavam somente com os olhos reluzentes do gato, as pessoas achavam que era o encarnado a persegui-las.

Houve um tempo em que não só o gato preto, mas também todos os outros viveram livres desse lado obscuro da sociedade. Foi quando as pessoas perceberam que eles eram o principal predador dos ratos. Assim, as cidades, sem todos os saneamentos básicos que temos hoje, ficavam parcialmente limpas da peste bubônica, transmitida pelos ratos e colocando os gatos no patamar de melhor amigo do homem.

As opiniões divergem no decorrer da história a respeito, principalmente, do gato preto. Eu só sei que, quando morava em uma casa, com um quintal razoável, além de um cachorro e uma cadela, minha filha resolveu adotar um gato preto que na verdade não era de ninguém. Gatos são assim, vão se apegando a quem oferecer amor, carinho e comida. Eles são livres, de um muro para outro, encontram um dono diferente e cativam com seu jeito manhoso de ser.

Minha filha adorava aquele gato, seu pelo era tão preto que parecia um veludo, seus olhos brilhavam tanto à noite que pareciam duas estrelas perambulando de um lado para outro. O bichinho recebeu o nome de Kaká e tinha um detalhe diferente dos outros gatos da redondeza: ele era coxo. Porém, esse detalhe de nascença, que o acompanhava em uma das patinhas, não era empecilho para suas andanças, muito menos, para conseguir sua comida de cada dia.

E assim percebi quando minha cadela, Fofinha, teve vários filhotes e, certa noite, ao abrir a porta da cozinha, estava o Kaká em uma das tetas da bichinha, dividindo com os filhotes dela o leite de cada dia. Na primeira vez, estranhei, espantei o gato, mas quando fechava a porta e mais tarde resolvia dar uma espiada nos filhotinhos, lá estava ele matando sua fome. Rimos muito em casa com a esperteza do gatinho para encher a pança. Mas, ficamos mais surpresos ainda com a cadela que não se importou em dividir o alimento dos seus filhinhos com um gato preto.

Depois dessa cena inesquecível, percebi que o mal, muitas vezes, está somente nos olhos de quem o carrega no coração.

 

LI E GOSTEI

O livro Cotaxé, de Adilson Vilaça, conta-nos a história da apropriação do local contestado entre Minas Gerais e Espírito Santo. Um romance histórico, recheado de muitas metáforas e de tirar o fôlego.

ASSISTI E GOSTEI

O filme Juventudes Roubadas, 2015, dirigido por James Kent, baseado em fatos reais, conta-nos a história de um romance entre dois jovens, mas que foram separados para sempre devido a Primeira Guerra Mundial.

FRASE DO DIA

OUVI E APROVEI

E lá da internet, na letra de Roginei Paiva: Passadismo já passou/ Lá vem o Pré-Modernismo/ Fase de transição/ Antes do Modernismo…

 

E A GRAMÁTICA… COM AS CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA

É possível escrever um texto utilizando apenas palavras que iniciem com a letra “p”? Sim! A língua portuguesa nos permite fazer isso.

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor paulista, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora, pernoitando por perto. Prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulino pediu para pintar panelas. Posteriormente, pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir. Pediu permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Fonte: Só Português

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