Nós somos o que comemos

Publicado em às 20:32.
Por Alexandre Marconi

Hipócrates, o pai da Medicina disse algo que ecoa pela eternidade: “Nós somos o que comemos”. Pois bem, esse dito nunca foi tão entendido quanto agora, isso porque os estudos, aliados ao poder avassalador da mídia vêm, cada vez mais, aproximando a alimentação da saúde e doença. Dessa forma, podemos afirmar que uma boa alimentação é fonte para gerar saúde e o contrário também é verdadeiro.

É evidente que isso nunca foi um segredo pra ninguém. Mas o tema nunca foi tão relevante como atualmente, quando os avanços da medicina têm, cada vez mais, buscado a prevenção de doenças e a promoção da saúde a partir do poder funcional dos alimentos, o que se torna muito importante tendo em vista que até bem pouco tempo, a visão era voltada basicamente de forma “exclusiva”, para recuperação de um estado doente do corpo.

Promover a saúde a partir de bons hábitos de vida tem trazido resultados impressionantes na longevidade do corpo humano. Pessoas que se alimentam bem e praticam as mais diversas atividades físicas tendem a viver mais e enfrentarem menos doenças no decorrer de suas vidas. Basta fazermos uma relação rápida entre os nutrientes recebidos de uma boa alimentação e a melhora do nosso sistema imunológico, assim entende-se que este organismo bem nutrido terá um melhor sistema de defesa e consequentemente passará por um menor número de infecções oportunistas.

 

Obesidade é um dos maiores vilões

Um dos principais pontos que podemos citar para elucidar o problema alimentar como base para o desenvolvimento de doenças é a obesidade. Um paciente obeso, principalmente com acúmulos de gordura localizada na região abdominal, a chamada gordura visceral, possui um perfil inflamatório crônico. Essa inflamação crônica contribui para o desenvolvimento da doença arteriosclerótica (acúmulo de gorduras nas paredes das artérias), podendo ocasionar o entupimento de uma artéria, o que acarretaria em um possível infarto. Essa condição, somada à hipertensão e diabetes contemplam um pacote de disfunções consequentes da obesidade no organismo, denominada Síndrome Metabólica, vista como uma doença da civilização moderna, que é resultante de uma alimentação irregular somada ao sedentarismo. Os números indicam no Brasil cerca de dois milhões de casos por ano.

 

Risco de câncer

E o que poucos sabem é que a obesidade e a má alimentação ocupam hoje a segunda posição entre os principais fatores de risco para o câncer, ficando atrás apenas para o tabagismo. Um dos mecanismos que explicam essa informação é que a obesidade estabelece um maior numero de inflamações em nosso corpo, além de aumentar a quantidade de insulina no nosso organismo, que por sua vez  promove uma estimulação da multiplicação celular e, consequentemente, a possibilidade de surgir um tumor. Em uma visão genérica, o acúmulo de gordura corporal pode alterar a produção e liberação de hormônios, que também podem elevar o risco de se desenvolver câncer.

 

Como exemplo disso, podemos citar a obesidade como um agente influenciador do câncer de mama, por alterar os níveis de estrogênio no organismo. No período posterior a menopausa, os ovários suspendem a produção desse hormônio e o tecido adiposo (tecido gorduroso), começa a ser a fonte de estrogênio do organismo. A elevação dos níveis desse hormônio durante essa fase da vida da mulher pode causar câncer de mama.

Nos homens, o peso corporal elevado pode acabar diminuindo a produção de testosterona, a deficiência desse hormônio pode influenciar no aparecimento de câncer de próstata. E o aumento na produção de insulina pode estar relacionado ao desenvolvimento do câncer de cólon e reto.

Diante desse cenário, os profissionais como nutricionistas, médicos nutrológos e endocrinologistas, são fundamentais no acompanhamento dos pacientes que sofrem com a obesidade ou daqueles que buscam a prevenção como fonte de saúde. Com todo avanço que as pesquisas oferecem nos dias de hoje, sabemos que prevenção da grande maioria das doenças de maior incidência está na boa alimentação e na prática de atividades físicas, ou seja, o segredo da longa vida está em cada refeição.

 

 

 

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