Ponto de vista • Para um menino que não conheci…

Publicado em às 14:05.
Por Beatriz Fraga

Um menino se matou ontem. Era uma noite de chuva que traz enchente. Há uma certa comoção no ar. Logo, logo, ela passa. Ele virará memória. E os vivos e suas mortes diárias?
Precisamos falar sobre Kevin, sobre Laone, sobre o negro discriminado e assassinado, sobre a mulher vitimizada, sobre LGBTQ que sofre bullying, sobre o que não se enquadra em padrões estéticos impostos, sobre o refugiado rejeitado, sobre o que se droga em busca de anestesia, sobre quem respira muito fundo e diz estar bem, sobre ser diferente e ser massacrado por isso, sobre nós e nossas omissões disfarçadas de atos civilizados.
Há tanta dor esparramada pelo mundo e temos de fazer algo. Rápido. Dor vira raiva. Dor vira medo. Dor vira morte. Dor vira o humano em coisa.
Um garoto se matou no asfalto. Nem quis as águas do Itapemirim. Pulou da ponte e atrapalhou o tráfego. Seu corpo frágil, estendido no chão, incomoda os sensíveis de estômago, mas fortes de preconceitos. Se isso não é uma forma de protesto, não entendo mais nada. Só sei que nossa indigna ação não promove mudanças. A nossa boa educação é permissiva.
Você não sente essa dor dispersa no ar?

Comentários dos leitores

Williamn Eller Sampaio – “Eu o conheci, era uma alma boa e sofrida. 
As pessoas deveriam vestir as almas uns dos outros 
Aí sim, saberiam o que os cabe ou não sentir do outro… Julgar do outro. 
Que ele encontre felicidade e paz enfim”

Enviar comentário

Seu e-mail nunca será publicado ou compartilhado.
Campos obrigatórios marcados com *.

*
*
*