O crime da Gamboa: marido mata e confessa

Publicado em às 17:46.
Por Luciana Maximo

Asfixiou, estrangulou. Arrumou a casa, desovou o corpo  ligou para a filha, fez o BO e confessou o assassinato da mulher

 

Não é cenário de um filme de suspense, trata-se do crime da Gamboa, onde um homem resolve tirar a vida da mulher e criar factoides para não ser visto como principal suspeito. O marido, Admilson de Souza Cruz contou ao delegado que levou uns quatro minutos asfixiando Claudiana, que no sobrenome traz o adjetivo, Bom.

Claudiana Bom Macota, 35 anos, era uma mulher bastante vistosa e atraente, despertava os olhares masculinos por onde passava, mas isso não era motivo para ele vigiá-la todos os dias e persegui-la como se ela fosse de sua propriedade. Trabalhava cotidianamente varrendo as ruas das pacatas, Itaoca e Itaipava, era servidora da Prefeitura de Itapemirim, que lamenta muito. Casada com Edmilson há 16 anos, com quem teve uma filha de 15 anos.

Freud certamente explicaria a personalidade do marido que asfixiou, estrangulou, matou a mulher depois de uma discussão, dentro do quarto do casal. Com riqueza de detalhes, ele afirmou ao delegado que investiga o caso, Dr. Djalma Lemos, que, arrumou a casa após assassiná-la, com a mulher morta para não deixar vestígios aos filhos que naquele local fora cometido um bárbaro crime.

Depois da casa arrumada, ele cautelosamente, sem que ninguém visse, colocou o corpo no interior do carro e o desovou no meio do matagal, próximo a Praia da Gamboa, em Itapemirim.

Pasme, duas horas depois de cometer o assassinato, ele mesmo ligou para a filha para informar o suposto desaparecimento da mulher. Não satisfeito com as fantasias que inventava, foi a Delegacia, no dia seguinte, registrar um Boletim de Ocorrência – BO, informando o desaparecimento de Claudiana.

Admilson teve o trabalho de montar um cartaz com uma foto e o número de telefone, sair pelas ruas no domingo colando nos postes, pedindo para que ajudassem a encontrar a mulher que segundo a sua ‘paranoia’ estava desaparecida.

Ainda não se sabe se o fogo colocado no mato, próximo ao local onde o corpo foi encontrado por servidores da Prefeitura de Itapemirim teria sido o próprio autor do feminicídio, que o ateou, entretanto, nada pode escapar da investigação que teve a confissão de um homem ciumento e perseguidor. Além do fogo no matagal próximo ao cadáver da mulher encontrado na manhã desta segunda-feira, 09, uma cova rasa, estava preparada para enterrar um corpo, uma pá fora deixada por perto. A cova não fora feita por esses dias, tem sinais de ter sido perfurada há mais de um mês.

O marido, ciumento, dissimulado e perseguidor, deve ter pensado que jamais figuraria como suspeito da morte da vistosa mulher, mas deixou pistas que foram usadas para que ele não aguentasse mais segurar a mentira que ele mesmo criou.

O assassino confesso até então, foi frio na confissão, não suportou a realidade dos fatos colhidos pela Perícia Técnica da Polícia Civil, viu-se encurralado em meio às fantasias que inventou para tentar passar batido que não teria sido ele o responsável por mais esse homicídio.

Confira a entrevista na íntegra com o delegado de Itapemirim, Dr. Djalma Lemos que fala também da elucidação dos outros quatro homicídios ocorridos no município nos últimos 45 dias. Cada um mais complexo e covarde que o outro. A entrevista estará disponível no site www.espiritosantonoticias.com.br

 

Jornal: Drº, o senhor convidou o esposo da Claudiana para vir depor, como é que foi. Ele foi intimado?

 

Delegado – Ele foi ouvido, logo que fez a comunicação e que tomamos conhecimento de que um corpo havia sido encontrado e nós fomos ao local do crime, vimos que existia uma série de lacunas nas informações prestadas. Quando a Perícia chegou ao local que apresentou outras evidências ele foi convidado a acompanhar a equipe de plantão e nesta delegacia, não aguentou a pressão sobre as verdades que foram mostradas a ele, resolveu confessar ter sido ele mesmo o autor do crime.

 

Jornal: Drº, ele chegou a registrar um BO informando o desaparecimento dela?

 

Delegado: Com certeza, não só fez o BO, como chegou ao desplante de colocar a imagem da esposa em panfletos para colar na rua, no domingo, ele já estava fazendo isso. Nós temos até um modelo dentro do inquérito que foi colocado na rua para tentar localizar a pessoa que ele sabia que estava morta.

 

Jornal: O senhor tem conhecimento que no domingo ele chegou a procurar pela esposa juntamente com a filha e uma amiga do casal, pelas ruas de Itaipava, foi até a Praia da Gamboa?

 

Delegado – Com certeza ele fez todas as simulações que poderia ensejar e torná-lo em não suspeito, entretanto, a polícia não trabalha com o coração, a polícia trabalha com materialidade técnica.

 

Jornal: O senhor começou a vê-lo como suspeito a partir do momento em que foi localizado o corpo?

 

Delegado: Ao meu modo de ver ele começou a ser suspeito desde o momento em que ele registrou a ocorrência do desaparecimento, tendo em vista que, ele mesmo citou que as 20h30 da noite anterior ele já teria ligado para a filha para avisar que ela estava sumida. Então, ninguém desaparece com duas horas, era realmente uma evidência muito grande que ele sabia que ela não poderia ser encontrada, ou melhor, se fosse encontrada seria sem vida.

 

Jornal: Os nossos leitores estão muito indignados com esse crime e com os outros que ocorreram no município, que nós temos sempre dado a notícia, achando um absurdo ele confessar e permanecer solto. É a justiça quem determina?

 

Delegado: Não, não é a justiça, é a lei! A polícia, o judiciário, o Ministério Público trabalham com a lei, se ele ficasse detido sem a formalidade legal, ou seja, uma ordem judicial, já que não houve flagrante do crime, e ele confessou espontaneamente, sem qualquer pressão e deu detalhes e minúcias de como cometeu o crime, nós entendemos também, não havendo ainda a identificação técnica do corpo que a lei diz: a autoacusação por si só não é crime. Enquanto nós não tivermos a identificação do cadáver, nós não poderemos dizer que ele cometeu esse crime.

 

Jornal: Ele chegou a apontar o local. Ele disse onde deixou o corpo?

Delegado: Ele falou que abandonou o corpo lá, mas, a polícia técnica, tanto a perícia de local, como, o médico legista informaram que o estado do corpo se encontrava em decomposição era impossível fazer o reconhecimento visual, então, não aceitaram sem que fosse feito o exame de DNA o qual nesta tarde já foram encaminhadas a tia e a filha da vítima para fazer exame e confronto com o material genético retirado do corpo onde foi encontrado.

 

Jornal: Tendo a confirmação de que o corpo é dela de fato, a prisão será realizada?

Delegado: Com certeza ele terá sua prisão requerida e temos certeza de que o juiz não deverá regatear em declarar essa prisão e nos vamos cumprir a lei que é prendê-lo com a ordem judicial na mão.

 

Jornal: Essa prisão será preventiva?

Delegado: Existindo a materialidade confirmada de que o corpo encontrado na Praia da Gamboa é o da Claudiana, com certeza nós já iremos pedir a prisão preventiva e aí ele é confesso e autor do crime.

 

Jornal: Ele se enquadra no crime de feminicídio?

 

Delegado. Com certeza. Todas as características e ele mesmo confessou que a motivação do crime foi ciúmes. Está dentro da caracterização do crime de feminicídio e além desse crime ele ainda responderá por ocultação de cadáver, já que ele teve o trabalho de pegar o corpo de dentro de casa e conduzir ao local a ermo onde foi deixado.

 

Jornal: Ele chegou a dizer se a cova foi ele mesmo quem fez?

Delegado: Não. Hoje mesmo nós voltamos ao local para fazer uma nova constatação e vamos trabalhar ainda para comprovar se foi ele o autor da cova, já que esta não foi feita recentemente, há mais de um mês que essa cova já tinha sido cavada no local.

 

Jornal: Ele chegou a dizer se brigava muito com ela?

 

Delegado: A princípio negou, mas em confronto com outras informações colhidas, nós vimos que o casal já vinha em crise há bastante tempo, inclusive ela já falava que iria pedir a separação dele.

 

Jornal: Não há perigo de ele fugir?

 

Delegado: Olha, nós temos polícia em todo estado. Qualquer lugar que ele fuja, parece-nos que ele não tem a intenção de fugir, tanto não tem que ele continua mais ou menos sob vigilância e nós mantemos um acompanhamento dele, inclusive, ele saiu daqui acompanhando do próprio filho. Estamos preocupados que ele possa cometer o suicídio, porque imaginamos como poderá estar a cabeça dele depois que cometeu um ato tão insano que ele praticou. Nossa preocupação é que ele venha a tentar contra a própria vida, pedimos até os familiares dele que mantenham a vigilância também sobre ele.

 

Jornal: Vale ressaltar que todos os crimes que ocorreram em setembro e outubro já estão todos praticamente elucidados, não é delegado?

 

Delegado: Temos tido um trabalho hercúleo com apoio da Guarda Municipal, da Polícia Militar e com certeza nós estamos dando a resposta que a sociedade precisa e quer, ou seja, os crimes de repercussão que ocorreram e principalmente os de homicídio nós conseguimos elucidar e identificar a autoria. Já temos pedidos de prisões feitos a justiça e quem cometer crime nesta cidade estará sujeito a ser pego e irá responder por suas ações.

 

Jornal: Nos últimos 45 dias foram cometidos em Itapemirim cinco homicídios.

 

Delegado: “Só um deles a autoria ainda está em apuração, tendo em vista que as pessoas que eram da família da vítima não confirmaram o reconhecimento dos suspeitos que temos como autores do crime do Abraão. O autor do assassinato do catador de latinhas foi preso em flagrante, a autora do homicídio de Zé Mauro também se encontra detida. O assassino da Graúna também está preso o autor. O de Claudiana já temos a autoria confessa, só precisamos do reconhecimento da vítima.

 

Jornal: Qual o tempo para ter o resultado do exame de DNA?

Delegado. O prazo mínimo é 10 dias.

 

 

 

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