Automedicação – Um perigo silencioso

Publicado em às 9:36.
Por Alexandre Marconi

O tratamento por medicamentos são de longe a principal medida terapêutica utilizada nos dias de hoje. Ele contempla o aumento da qualidade de vida de seus usuários, seja pela efetivação da cura, impedindo a progressão da doença ou sendo utilizado no controle dos sintomas. Todavia, uma terapia com remédios pode apresentar falhas frente a sua utilização, podendo gerar efeitos indesejáveis, comprometendo a efetividade do tratamento, não alcançando os objetivos terapêuticos ou ainda desenvolvendo problemas relacionados à segurança como possíveis reações adversas e efeitos de toxicidade.

Desta forma, a utilização contínua dos medicamentos, levando em consideração o uso desapropriado na grande maioria das vezes, faz com que os riscos de ocorrência para o desenvolvimento de algum problema relacionado ao medicamento, aumentem.

Os problemas relacionados aos medicamentos estão interligados  basicamente a fatores como:  segurança, efetividade ou ainda à necessidade de uma determinada terapia medicamentosa. Sendo assim algumas perguntas podem indicar para o profissional de saúde se existe algum remédio utilizado, por exemplo:-Esse medicamento é seguro exclusivamente para este paciente? Para os problemas que este paciente apresenta este medicamento está trazendo bons resultados? É realmente necessário usar esse produto? O paciente toma os medicamentos na quantidade certa e hora certa?

Estudos desenvolvidos na década de 90 demonstraram que 50% dos usuários que entravam em uma farmácia comunitária, em qualquer região do mundo, portavam no mínimo um problema relacionado à sua terapia medicamentosa. Mesmo que não haja novos dados nesse sentido, pode-se afirmar que este número está ainda maior, isso por que o consumo dos medicamentos aumentou e, com isso, os erros.

Sobretudo, deve ser ressaltado que os problemas não estão individualmente direcionados ao medicamento, mas sim a forma como são prescritos, ao processo de dispensação (venda), e a forma na qual o paciente o utiliza. É muito comum observar erros no dia a dia da população, como por exemplo, um amigo que orienta o outro a utilizar determinado medicamento por que foi “ótimo” pra ele, ou ainda, uma vizinha dizer para outra parar de tomar seus medicamentos por que eles “não valem nada”.

Como já não bastassem tantos agentes estimulantes de problemas, as drogarias brigam em resposta a concorrência para cada vez venderem mais e vender mais significa fazer com que as pessoas utilizem mais medicações sem as devidas orientações, sem prescrições, sejam elas por médicos, nutricionistas, farmacêuticos e outros profissionais habilitados, respeitando os seus respectivos limites legais.

Outro estudo relevante apontou que aproximadamente 28% das internações hospitalares são resultantes do envolvimento com o uso de medicamentos, no Brasil apesar de não existirem estudos que relacionem a morbimortalidade com a utilização de medicamentos, os levantamentos feitos para intoxicações medicamentosas mostram que os fármacos ocupam a primeira posição entre os três agentes com maior incidência de intoxicação desde 1996.

Isso demonstra o quanto é importante os profissionais estarem alinhados com as boas práticas de suas profissões e que a população entenda por sua vez que existem riscos em um simples ato de indicar um medicamento, mesmo que seja de boa fé, pois cada ser é único e o que é bom pra você pode não ser para o outro. Em relação aos estabelecimentos de venda, desde 2014 em vigor a lei 13.021 que entre outros, elege a farmácia como estabelecimento de saúde e mais do que nunca isso confere ainda mais responsabilidade para os mesmos.

 

 

Foto Alexandre / saiu na edição passada

 

 

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