“Esse título é um divisor de águas em minha vida”, diz Cachoeirense Ausente de 2017

Publicado em às 6:11.
Por Assessoria de Imprensa

Acacio em frente à casa em que nasceu, na rua Alziro Viana, no bairro Aquidaban

“Se possível, eu gostaria muito que, dentro das coisas que falei, fosse ressaltado meu amor por Cachoeiro e, também, que esse título é um divisor de águas na minha vida, que eu vou levar para sempre comigo esse carinho”, solicitou o Cachoeirense Ausente nº 1 de 2017, o ator e empresário Acacio Moraes Frauches, em entrevista à prefeitura, nesta semana.

Conhecido por seus amigos como Gigante, Acacio – que, hoje, reside em São Paulo – aproveitou para agradecer a todas as pessoas que se empenharam em sua vitória, obtida em 10 de maio, no Palácio Bernardino Monteiro (sede da prefeitura), por meio de votação secreta. “Faço, também, agradecimento especial à minha esposa Fabiana, que foi incansável durante a campanha”, acrescentou ele, com o tom emotivo que permeia boa parte de suas respostas.

Frauches chegará a Cachoeiro no próximo dia 23. Acompanhado de autoridades do município e de diversos convidados, além de profissionais da imprensa local, o prefeito Victor Coelho vai recebê-lo na rodovia Cachoeiro x Safra, na região do União, por volta das 15h. De lá, o Cachoeirense Ausente deste ano segue para o Centro Operário e de Proteção Mútua, onde, em cerimônia agendada para as 16h, receberá oficialmente a chave da cidade.

Confira:

Desde a votação em que você foi eleito como Cachoeirense Ausente nº 1 de 2017, passou-se mais de um mês. Já caiu a ficha? E como tem sido esperar pelo dia do recebimento da homenagem?

Caiu não. Na verdade, às vezes quer cair. Às vezes, volta. No momento em que eu soube que era candidato, já fiquei meio assustado. Você fica meio “caramba, será?”. E, na hora em que soube que tinha sido eleito, chorei muito. Eu me lembro do prefeito ter me ligado, pra me dar os parabéns. Eu não sabia muito o que falar pra ele. Porque foi uma coisa que não tem explicação. E eu acho que essa ficha vai cair, mesmo, na semana que vem, na hora em que eu estiver chegando à cidade, em que eu for ao baile, em que eu reencontrar meus amigos. Eu acho que é ali que vou sentir, realmente, esse momento único na minha vida. Único mesmo. Porque eu já recebi muitas homenagens, muitos prêmios. Mas, igual a essa, nunca recebi. Porque isso não envolve só o lado profissional. Envolve família, amigos, a minha infância, a minha adolescência. Envolve tantas coisas, que é uma honraria muito especial. Sobre a espera, tem hora que tento dar uma esquecida, mas a esposa chega e diz assim: “Nossa, faltam 15 dias”. Dá um frio na barriga, porque está chegando a hora, está chegando o momento mais espetacular da minha vida.

Você deixou Cachoeiro no fim da década de 1970. Você imaginava, à época, que algum dia seria agraciado com tal honraria? O que o rapaz de 17 anos almejava ao sair de sua aldeia?

Eu lembro que tinha uns 11, 12 anos, quando estava na praça Jerônimo Monteiro, onde acontecia uma homenagem a um Cachoeirense Ausente. Acho que era Carlos Imperial ou Jece Valadão. Foi num palco. Eu era um menino, e fiquei muito, muito emocionado em ver aquilo, e eu desejei estar naquele lugar. Lembro que, durante alguns momentos, sonhei, sim, com isso. Quem é que não sai de Cachoeiro, vai pra outras terras e não quer voltar, um dia, com esse reconhecimento? Eu acho que isso passa na cabeça de todo mundo, e comigo não foi diferente. Eu imaginava que poderia receber, embora talvez não tivesse méritos. Mas que eu tinha vontade, eu tinha. Quando saí de Cachoeiro, com 17 anos, queria alçar voos, ir pro Rio de Janeiro. Já tinha irmãos que moravam lá. Queria ser grande em alguma coisa, uma pessoa diferenciada em alguma área. E via meus amigos dizerem que queriam fazer medicina, engenharia… Não me via fazendo nada daquilo. Queria fazer faculdade, mas, quando comecei, vi que não era o que eu queria. Um dia, larguei tudo e fui fazer teatro, onde me encontrei e segui minha vida profissional. Almejava, enfim, ser um gigante.

Dos teus 56 anos de idade, Acacio, você vive há quase 40 fora de Cachoeiro. Como é passar todo esse tempo longe de tua terra natal? Com quais sentimentos, especificamente, você lida? 

Eu deixei Cachoeiro, mas Cachoeiro nunca saiu de mim. Sempre me lembrei de Cachoeiro. Sempre falei de Cachoeiro. Sempre cantei as músicas de Cachoeiro. Sou um apaixonado por Cachoeiro. E me lembro de, na minha vida profissional, viajar pelo Brasil, dar entrevistas a jornais, rádios, e tinha na minha cabeça que, quando você falava que era de Cachoeiro, você era especial, que iam te olhar com outros olhos. Sabe uma coisa assim? Tenho muitos amigos aí. Minha família continuou na cidade. Mas, durante esse tempo, eu voltava com alguma frequência pra revê-los. Tenho um irmão que reside aí até hoje. Então, por mais que eu tenha alçado meus voos, sempre acompanhei minha cidade. Acompanho via internet. Acompanho o time do Estrela. Quero saber o placar dos jogos. Enfim, lido com sentimentos de saudade, saudade, muita saudade. Saudade da minha infância, da época do Polivalente Guandu, dos amigos de lá. A educação que tive foi do Polivalente, do Bernardino Monteiro. Saudade dos meus pais, dos meus irmãos. Saudade é um grande sentimento. De agradecimento e de emoção. O homem que sou hoje devo às minhas raízes. Sinto os sentimentos mais profundos e lindos que um ser humano pode sentir. E eu sinto isso pela minha cidade.

Envolto de um clima único, muito peculiar à cidade, esse processo de escolha mobiliza muitas pessoas, sobretudo aquelas que possuem algum vínculo com os candidatos. Sendo assim, o que representou, para você, o empenho de teus amigos em torno de tua campanha?

É, esse clima é muito peculiar, mesmo. Só Cachoeiro tem isso. Tento explicar aos meus amigos, aqui, meus funcionários. Teve um dia que reuni todos os meus funcionários da fábrica, pra explicar essa história do Cachoeirense Ausente, e eles realmente não conseguem entender o que isso representa pra nós. Eu tenho em Cachoeiro, hoje, infindáveis amigos. E eles vieram da escola Polivalente Guandu. Eu brinco dizendo que sou o candidato do Polivalente, porque a escola representou, em um determinado momento, um ensino com um nível muito alto, e eu sou dessa geração. Os meus amigos, que hoje têm as mais variadas profissões, vieram também desse período. Então, isso fez com que a gente conservasse essa amizade, com que fôssemos grandes amigos, na essência mais pura da palavra. Saber que eles dedicaram horas preciosas de seus tempos pra que eu estivesse nesse lugar, hoje, é de um sentimento único, de uma grandeza única. Eu falo pra eles isso, que eu já tive a oportunidade de ir a Cachoeiro depois que ganhei, e nós tivemos uma festa muito bonita. E eu falei pra eles que vou passar a vida toda sendo um grande amigo deles, agradecendo a eles, admirando cada um deles, porque todos eles, sem exceção, foram me abraçar. Vibraram, choraram, curtiram e estão curtindo cada segundo dessa honraria. Eu digo a eles: essa honraria tem de ser dividida pra cada um de vocês; pra quem torceu, quem vibrou, quem chorou, quem pulou, quem cantou. Porque isso é ser cachoeirense.

 

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